Carboidratos: afinal, podemos ou não podemos comer?

Ouvimos falar, ao longo dos anos, muito sobre os efeitos e benefícios das dietas ricas em carboidratos e fibras e pobres em gorduras para o controle do diabetes, o que vem sendo comprovado por inúmeros estudos e pesquisas científicas.

Apesar da forte recomendação das Associações Internacionais de Diabetes, embasadas em pesquisas científicas, o que se tem verificado em nosso meio é que este assunto ainda é muito polêmico. Pessoas leigas, diabéticos e até profissionais de saúde continuam afirmando que pão, batata, macarrão, feijão com arroz e algumas frutas são prejudiciais ao diabético.

As dietas restritivas, decorrentes dessas crenças, têm muito mais desvantagens do que benefícios. Portanto, estão muito mais sujeitas a transgressões, gerando muitas vezes o sentimento de culpa por parte do diabético, principalmente com relação aos diabéticos do tipo 2, os quais muitas vezes sentem-se “roubados” na sua alimentação, pois acreditam que sua dieta é muito limitada, não permitindo que comam à vontade, ao contrário da dieta dos diabéticos do tipo 1. Além disso, elas não contribuem para aumentar a sensibilidade do organismo à insulina, nem tampouco elevam a síntese e o armazenamento de glicogênio hepático e muscular. Isso sem contar que dietas pobres em carboidratos são, proporcionalmente, mais ricas em proteínas e gorduras e mais pobres em fibras, favorecendo as possíveis complicações renais e cardiovasculares tão temidas pelos diabéticos.

Afinal, o diabético pode ou não pode comer pão, arroz, feijão, batatas, macarrão, banana, uva, caqui, etc…?

Claro que pode!!! Mas a questão não é exatamente o “poder/ não poder”, mas sim o “quanto” e o “como” comer.

Esta quantidade deve ser definida em função do total calórico da dieta e é variável segundo o sexo, a idade, o peso, a altura e a atividade física que a pessoa pratica. O tipo de diabetes também pode influenciar na dieta do diabético. No caso de diabéticos do tipo 1 (insulinodependentes), a contagem de carboidratos é mais aconselhada. Neste caso, o profissional mais indicado para dar esta orientação ao diabético é o nutricionista.

Sabendo a quantidade que você deve consumir de carboidratos por refeição, ele poderá variar o seu cardápio, utilizando alimentos diferentes. Ele levará em consideração alguns parâmetros determinados pelo médico. É importante respeitar sempre as quantidades de carboidratos estabelecidas, manter o peso corporal e glicemias saudáveis.

A quantidade de carboidratos que um diabético deve consumir diariamente varia de pessoa para pessoa, bem como a sua distribuição, que deve ser estabelecida individualmente ao longo do dia. O nutricionista que o acompanha definirá a quantidade de carboidratos das refeições e lanches com base nas informações abaixo:

  • Idade
  • Peso / altura
  • Circunferência abdominal
  • Quando e quanto realiza atividade física
  • Ação dos medicamentos prescritos pelo seu médico para tratar o diabetes
  • Metas de peso  corporal
  • Valores laboratoriais
  • Alergias e intolerâncias alimentares
  • Preferências e aversões alimentares
  • Aspectos sócio-culturais e estilo de vida

A Contagem de carboidratos permite uma maior flexibilidade ao plano alimentar, sem perder de vista a alimentação saudável para atingir os objetivos de tratamento traçados pela equipe que o acompanha.

Algumas sugestões são válidas para todos os diabéticos (tanto do tipo 1 como do tipo 2):

– Fazer refeições mistas, em que o carboidrato complexo (pão, arroz ou massa), por exemplo, seja combinado com fontes de fibras alimentares: frutas, leguminosas como o feijão, hortaliças cruas e cozidas; aveia ou farelo de aveia. Com proteínas: carnes magras, leite e derivados com poucas gorduras, e gorduras não saturadas (sem excessos),como o azeite de oliva, demais óleos vegetais e margarinas cremosas.

– Evitar combinar diversos carboidratos em uma mesma refeição. Por exemplo: Se for comer uma macarronada, evite acompanhá-la com uma salada de batatas (tipo maionese). Prefira salada de folhas verdes e legumes. Se quiser comer carne com batatas, elimine ou pelo menos diminua o arroz e o feijão. Deve-se ressaltar que o arroz com feijão não é desaconselhado, muito pelo contrário: provoca uma resposta glicêmica bem menor do que quando se consome somente o arroz.

– Preferir pães e cereais integrais ou acrescidos de fibras.

– Tente consumir frutas, sempre que possível, com casca ou bagaço (por causa das fibras, que ajudam a retardar a absorção da glicose contida na fruta). O suco de laranja, por exemplo, provoca uma rápida resposta glicêmica. Já a laranja ingerida com o bagaço eleva bem menos a glicemia.

Finalmente temos a questão dos carboidratos simples, em especial a sacarose e a frutose. As recomendações atuais são para que sejam consumidos pelos diabéticos que fazem contagem de carboidratos em quantidades moderadas, sempre respeitando-se o controle metabólico, o peso corporal e o fator de sensibilidade à insulina determinado pelo médico para se fazer a devida contagem e correção.

A sacarose, geralmente, é objeto de proibição absoluta na dieta dos diabéticos. Já a frutose, por apresentar uma menor resposta glicêmica, é muito utilizada em produtos dietéticos para diabéticos. Porém, devemos levar em conta que ela é um tipo de açúcar tão calórico quanto a sacarose, fornecendo cerca de 4calorias por grama consumida. Não é recomendada, portanto, para diabéticos obesos.

Quanto à elevação da glicemia, a frutose pode provocá-la em situações de severa privação de insulina ou descompensação metabólica. Além disso, existe o risco de haver um aumento dos níveis de triglicerídeos  plasmáticos em diabéticos do tipo II com predisposição à dislipidemia com o consumo da frutose. Portanto, o consumo da frutose deve ser moderado, e somente é recomendado aos diabéticos com bom controle metabólico, não obesos e não predispostos à hipertrigliceridemia.

 

 Fontes:

– www.sentirbem.uol.com.br/index.php?modulo=artigos&id=219&tipo=1

– www.nutricao.diabetes.org.br/contagem-de-carboidratos

– Jornal Dia-A-Dia (número 6 – ano II – Abr/Mai/Jun de 1996)

– Jornal BD Bom Dia (Ano IX – Número 39 Jul/Ago/Set  de 1995)

3 Comentários


  1. O artigo chegou para mim em boa hora, e me tirou várias dúvidas sobre a minha alimentação.Tenho diabete tipo II e fui proibida de comer vários alimentos.

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  2. Me ajudou muito pois sempre que como alguma fruta ou algum alimento que dizem que é “proibido” para o diabético fico com sentimento de culpa e também preocupada com as consequências.

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