A importância da Aceitação do Diabetes

Nos últimos anos, vimos surgir inúmeras inovações para os diabéticos de todo o Brasil. Métodos terapêuticos mais eficazes, lojas e farmácias especializadas que oferecem produtos para o tratamento, como diversos tipos de insulinas com maior grau de purificação e com diferentes tempos de ação, canetas e seringas com escalas mais precisas, agulhas mais finas e cada vez mais curtas, alimentos dietéticos dos mais variados tipos, além da criação de associações e programas de saúde direcionados para este público.

Infelizmente o sistema de saúde do governo (salvo algumas exceções) continua prestando um atendimento deficiente aos portadores de diabetes. Porém, mesmo aqueles que não possuem condições financeiras para adotar um tratamento adequado, ainda podem contar com as entidades que prestam apoio e assistência aos diabéticos.

Se hoje existem todos estes recursos, então, por que grande parte dos diabéticos ainda se recusa a adotar um tratamento adequado? Afinal, estamos falando do bem estar e da qualidade de vida dessas pessoas.

Do ponto de vista social, a grande maioria das pessoas, em nosso país, ainda não está consciente das questões que envolvem a saúde. No âmbito do diabetes, assim como em vários outros assuntos de saúde, ainda existe muita desinformação, e isto infelizmente ainda impede que muitas pessoas se organizem.

Desconhecendo-se o que é o diabetes, torna-se praticamente inviável aceitá-lo e tratá-lo. O que falta também em nosso país é se adotar uma postura preventiva, como ocorre nos países desenvolvidos, onde se busca alertar a alertar e informar população.

A família do diabético é o principal elemento para que ele adote um tratamento eficaz. É fundamental que haja o comprometimento familiar com o diabético, pois sem ele não há como fazer com que a pessoa se trate. Por exemplo, no caso de um adolescente diabético, se os seus pais dão pouca atenção ao seu tratamento, ele também irá ignorar o problema e isso também vale para os diabéticos do tipo II, cujos filhos, marido e esposa não assumem o compromisso de ajudá-lo.

Outro fator que pode ser reconhecido em muitos casos de diabéticos infanto-juvenis é a culpa que os pais sentem diante do diagnóstico de diabetes no filho. Esse infundado sentimento de culpa acaba interferindo negativamente na aceitação do tratamento. Ao sentimento de culpa soma-se ainda a ideia do filho idealizado. Por isso, muitos pais chegam a negar que o filho seja diabético e ignoram qualquer tipo de tratamento. É mais fácil fingir que não existe o problema do que enfrentar a situação de forma equilibrada, permitindo-se uma adaptação gradativa à situação.

O pessimismo também atrapalha muito a adesão ao tratamento do diabetes. No caso de um adulto, o modo como ele irá lidar com o seu diabetes está muito relacionado com a sua visão de vida. As pessoas que encaram a vida com otimismo geralmente têm maior iniciativa e tratam do seu diabetes com o mesmo positivismo que lidam com as dificuldades do seu cotidiano. Geralmente estas pessoas encaram o diabetes de forma mais tranqüila, enfrentando as situações e procurando aprimorar o seu tratamento, buscando sempre o melhor resultado.

É diferente do que ocorre com pessoas que têm uma visão negativa ou que têm uma história pregressa mais difícil, e que acabam enfrentando sua situação com maiores dificuldades.

Segundo a psicóloga Rosana Manchon, o maior ou menor grau de aceitação do diabetes depende muito do momento que a pessoa está vivenciando quando é diagnosticada. Se a pessoa está atravessando um período desfavorável da vida, a aceitação também será mais difícil.

O ser humano utiliza-se um mecanismo inconsciente de defesa para se adaptar às situações inusitadas e dolorosas. É uma forma de se defender e, ao ser diagnosticada, a pessoa simplesmente poderá negar o seu diabetes e, assim, recusar qualquer tipo de tratamento.

Por estes motivos deve-se trabalhar estes aspectos de forma gradual, devido à complexidade do processo de aceitação, que envolve o diabético e seus familiares. É fundamental a busca do conhecimento do diabetes, seja através de orientação oferecida pelo médico e por uma equipe multidisciplinar, ou seja pesquisando a respeito do assunto em livros e publicações.

Enfim, somente a partir do conhecimento do seu diabetes e com a atenção e o apoio familiar é que o diabético poderá aceitar a sua condição e aderir ao tratamento correto, buscando sempre uma vida mais saudável, produtiva e feliz.

 

Fontes:

– Revista BD Bom Dia – Ano X, nº 43

– Portal Diabetes – http://www.portaldiabetes.com.br/conteudocompleto.asp?idconteudo=5194

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.