Tenho um casamento com o diabetes há 19 anos

Dando continuidade à nossa série de depoimentos, hoje temos a alegria de compartilhar a história da Heloísa, que é diabética do tipo 1 e que tem um blog onde compartilha todas as suas experiências adquiridas ao longo dos 19 anos de convivência com o diabetes.

Olá, meu nome é Heloisa Altenburg, 21 anos de idade, e tenho um casamento com a diabetes tipo 1 ( Diabetes Mellitus 1)  há 19 anos. Sim,um casamento em que há brigas e desavenças.

Fiz o blog “Uma doce vida” (WWW.umadocevida.com.br) com o intuito de poder ajudar as pessoas que possuem diabetes e acham que por isso não é possível ter uma vida normal. Pelo contrário, eu tenho uma vida super normal , trabalho e estudo. A única coisa que é um pouco chata é ter os efeitos da hipoglicemia e hiperglicemia, de resto não posso reclamar, sempre digo que agradeço por ter sido escolhida a dedo para ter diabetes do que ter alguma doença mais grave ou ter uma vida limitada.

Espero poder ajudar e compartilhar o que eu sei sobre a doença, por mais que sejam 19 anos convivendo com a doença ainda vejo que só sei 1% sobre e acho interessante compartilhar o que eu aprendi e espero poder aprender muito com os leitores do blog.

Farei um breve resumo sobre diabetes, sintomas, hiperglicemia e hipoglicemia.

Para quem não sabe o que é diabetes, é a elevação da glicose no sangue, que gera a hiperglicemia. A produção de insulina do pâncreas é insuficiente, suas células sofrem o que chamamos de destruição autoimune. Os portadores de diabetes tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores normais. Há risco de vida se as doses de insulina não são dadas diariamente. O diabetes tipo 1 embora ocorra em qualquer idade é mais comum em crianças, adolescentes ou adultos jovens. A glicose no sangue é usada pelos tecidos como energia. A utilização da glicose depende da presença de insulina, uma substância produzida nas células do pâncreas. Quando a glicose não é bem utilizada pelo organismo ela se eleva no sangue, o que gera nas pessoas diabéticas a hiperglicemia (quando a glicose está alta) alguns sintomas como dor de cabeça, enjoos, irritação. Já a hipoglicemia (quando está baixa) gera um sono imenso, uma sensação de que se está andando na lua, é um pouco difícil de descrever a sensação, mas é como se houvesse uma pedra sob a pessoa e ela não conseguisse fazer nada. Aí é a hora de medir a glicose e dependendo do resultado comer algo doce e que seja de rápida absorção (refrigerantes, balas, leite moça, doce de leite). Os chocolates não são indicados para aumentar a glicose, já que a absorção dele se dá após 3 horas ingerido, então esqueçam a ideia de que quando alguém está passando mal tem que dar chocolate, algo que é comum quando a pessoa está muito bêbada e passa mal, isso só piora.

Algo que eu acho importante também é ter algo na carteira que avise que a pessoa é diabética, caso haja um acidente não irão dar glicose, terão o cuidado necessário para que a pessoa possa melhorar.

Alguns sintomas podem ser vistos em pessoa que possuem a doença mas não descobriram ainda:

– Urinar excessivamente, inclusive acordar varias vezes a noite para urinar.

– Sede excessiva.

– Aumento do apetite.

– Perda de peso – Em pessoas obesas a perda de peso ocorre mesmo estando comendo de maneira excessiva.

– Cansaço.

– Vista embaçada ou turvação visual

– Infecções frequentes, sendo as mais comuns, as infecções de pele.

Quaisquer que sejam os sintomas, um médico deve ser procurado imediatamente para realização de exames que esclarecerão o diagnostico. Por favor não se tratem com chás, ou compostos que se dizem mágicos, isto só piora a saúde da pessoa e não  substitui a insulina, eles podem auxiliar em manter a glicose mais estável, e nada mais que isto.

O que eu posso falar a mais é que é necessário um controle diário sim, eu faço a aplicação 9 vezes por dia, e exame em torno de 7 vezes por dia, isso tudo depende de como eu estou e como foi meu dia. É necessário o acompanhamento médico periódico, exames de sangue de 3 em 3 meses e uma força de vontade incrível para tentar entender o corpo humano. Não é difícil, mas não é tão fácil.

 

4 Comentários


  1. Ah que legal Bianca..que emoção ver minha foto no face! e confesso que quando eu olhei eu pensei: sou eu mesmo?!? hahaha.. mas essa minha história que eu relatei no meu blog é bem simbólica..logo posto mais um pouco..o que eu quis dizer com esse post é que a vida pode ser linda e doce, mesmo não podendo consumir os doces 🙂
    se alguém tiver alguma dúvida podem vir falar comigo, estou super aberta a relatar minha vida e conhecer mais da vida dos outros.
    MUUITO obrigada Bianca!

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  2. Muito interessante o teu Depoimento, não sou diabética, mas amo demais um sujeito que é diabético dos ” brabos “. Nossa vida ” casamental ” é tão boa e tão integrada que até o próprio médico que cuida dele se confunde e acaba me perguntado coisas a respeito : do tipo: … quantas vezes você mediu a glicose…? Então me sinto ” meio-diabética “. Ele começou com os sintomas aos 32 anos e hoje já tem 50. Todos os órgãos estão muito bem, não tem nehuma sequela ainda e pretendemos continuar assim por muito tempo. Mudamos consideravelmente nossos hábitos alimentares, somos italianos da gema, como se diz popularmente, mas mesmo assim todos em casa passaram a ter o mesmo tipo de alimentação. Isso foi muito importante pois houve um comprometimento maior e uma melhora em nossa qualidade de vida. Nossos filhos até agora, um tem 27 e outra 22, não apresentaram nenhum sintoma, já que a diabetes dele é hereditária: pai, avó, … Ele faz uma dose alta de insulina Lantus todas as manhãs, mas tem passado bem os dias, com algumas crises, como chamamos ” de rebeldia “. Vamos tentando levar nossa vida da melhor forma, com amor, carinho e uma família ótima. Se o diabetes nos limita? Sim, mas tiramos disso o melhor que podemos. Sabe aquela frase célebre: ” se só te dão limões, faça uma boa limonada ” . Abraço fraternal !

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    1. Obrigada Jaqueline!! Muito legal a sua história! É isso aí, o apoio da família tem uma enorme importância na convivência do diabético com a sua disfunção. A família sempre acaba aderindo à dieta e à rotina de controle. Um grande abraço!

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