Insulina: Por que se faz necessário aplicá-la?

O organismo humano precisa de um hormônio chamado insulina para transformar os alimentos na energia necessária ao funcionamento das células e dos órgãos. Pessoas normais produzem insulina em um órgão chamado pâncreas. Quando uma pessoa adquire o diabetes, seu pâncreas progressivamente vai perdendo a capacidade de produzir insulina. Em algum momento (geralmente, alguns anos após o início do diabetes tipo 2, ou logo no início do diabetes tipo 1), o indivíduo diabético precisa repôr a insulina que o seu organismo não consegue mais produzir. A forma de aplicar essa insulina é através de injeções deste hormônio, uma, duas ou mais vezes durante o dia.

A boa notícia é que atualmente existem tipos de insulina bem mais avançados, que facilitam muito mais a tarefa de controlar os níveis de glicemia em pessoas diabéticas. O médico é quem vai avaliar qual o melhor tipo de tratamento para cada caso em particular, de acordo com as características, necessidades e estilo de vida do paciente.

Quais são os tipos de insulina que existem?

A maior parte das insulinas disponíveis hoje no mercado brasileiro é do tipo “humana”, ou seja, são insulinas fabricadas em laboratório, através de recombinação de DNA em bactérias, mas exatamente iguais à insulina produzida pelo próprio corpo humano. Em alguns lugares, ainda se pode encontrar insulinas animais (bovinas ou suínas), mas sua utilização é bastante restrita.

As insulinas podem ser classificadas, de acordo com seus tempos de ação, em: lentas, intermediárias, rápidas e ultra-rápidas. Cada tipo de insulina tem um início de ação (tempo necessário para que a insulina comece a fazer efeito, depois de aplicada); pico de ação (período após a aplicação em que a insulina exerce seu maior efeito), e duração de ação (por quanto tempo a insulina fica agindo, no total, após a injeção) diferente.

Um resumo do perfil de ação das insulinas encontradas no Brasil pode ser visto abaixo:

1) Insulinas ultra-rápidas – Início de ação: 10 a 15 minutos; pico de ação: 30 a 90 minutos; duração de ação: 3 a 6 horas. Cor: transparente. Exemplo: insulina lispro(Humalog®), insulina asparte (Novorapid®), e insulina glulisina (Apidra®).

2) Insulinas rápidas – Início de ação: 30 a 60 minutos; pico de ação: 2 a 3 horas; duração de ação: 6 a 8 horas. Cor: transparente. Exemplo: insulina regular(Insuman R® , Biohulin R®, Humulin R®, Novolin R® e Insunorm R®).

3) Insulinas intermediárias – Início de ação: 2 a 4 horas; pico de ação: 6 a 10 horas; duração de ação: 14 a 18 horas. Cor: branca turva. Exemplo: insulina NPH(Insuman N ®, Biohulin N ®, Humulin N ®, Novolin N ®, Insunorm N®).

4) Insulinas lentas – Início de ação: 2 horas; pico de ação: não faz pico (nível de ação constante, por isso causam menos hipoglicemia); duração de ação: 18 a 24 horas. Exemplo: insulina glargina (Lantus ®) e insulina detemir (Levemir ®).

Além desses tipos de insulina, existem disponíveis no mercado preparações contendo 2 tipos diferentes de insulina pré-misturadas, em frascos ou em refis para canetas. Exemplos são as misturas de NPH + regular (em proporções de 90/10, 85/15, 80/20, 75/25 ou 70/30), lispro solúvel + lispro cristalizada com protamina (75/25 ou 50/50) (Humalog Mix 25® e Humalog Mix 50®) e asparte solúvel + asparte cristalizada com protamina (70/30) (Novomix 30®).

A insulina pode ser utilizada por alguma outra via, que não seja injetável?

Atualmente, todas as insulinas disponíveis no mercado brasileiro são para uso injetável (subcutâneo).
Há muitas pesquisas para tentar encontrar alguma forma alternativa de administrar insulina aos pacientes diabéticos, visto que muitos pacientes reclamam do desconforto da injeção (embora a dor e o risco de complicações sejam mínimos, se a insulina for aplicada com a técnica correta).

Já existem no mercado as chamadas “bombas de insulina” (as mais modernas atualmente são a Accu-Chek Spirit® e a Paradigma 715 E 722®, que já possui um medidor de glicose acoplado)  que são dispositivos injetores de insulina programáveis, os quais injetam continuamente insulina ultra-rápida em frações de tempo ao longo do dia. Estes mecanismos injetores ficam acoplados ao paciente diabético através de um catéter cuja agulha fica na camada subcutânea.

BOMBA DE INSULINA

Uma apresentação para uso inalatório chegou a ser comercializada no Brasil por alguns meses, em 2007, mas foi retirada do mercado devido ao seu custo altíssimo e também pelos relatos de complicações pulmonares. Essa insulina inalável (nome comercial: Exubera®) necessitava de um aparelho inalador para ser administrada corretamente, e não podia ser utilizada por asmáticos ou fumantes. Talvez essa apresentação volte ao mercado num futuro próximo, dependendo do resultado de pesquisas que estão em andamento.

Exubera

Hoje também já existem no mercado canetas que aplicam a insulina sem a necessidade do uso de agulhas. Um exemplo é a Safe-Inject, um sistema que injeta a insulina através de pressão (por meio de uma mola) na camada subcutânea, de maneira segura e eficaz. Com esta caneta, a insulina é aplicada através de uma ampola de acrílico descartável com um micro-orifício de 0,17mm de diâmetro, enquanto que a maioria das agulhas para aplicação de insulina existentes no mercado possuem em torno de 0,25mm de diâmetro.

A caneta vem acompanhada de ampolas e adaptadores para caneta de aplicação de insulina, frasco-ampola ou para transportador de refil (uma peça que acompanha também a caneta), desta forma permitindo que ela seja utilizada com todos os tipos de apresentação existentes.

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Vários pesquisadores também estão tentando criar apresentações de insulina para uso oral, ou para aplicação na mucosa da cavidade oral, embora existam muitas dificuldades técnicas para essa via de aplicação, já que a maior parte da insulina administrada no aparelho digestivo acaba sendo digerida e inativada pelas enzimas do próprio paciente.

 

Fontes: 

American Diabetes Association – www.diabetes.org

Consenso Brasileiro de Diabetes 2002 –http://www.diabetes.org.br/politicas/consensos.php

 

2 Comentários


  1. Tomo insulina.
    Sertá que temos mesmo que usar a vida toda?
    Não tem estudos para ficarmos boa?

    Responder

    1. Olá Dirlene! Tudo vai depender do seu tipo de diabetes e da resposta do seu organismo à insulina e da sua adaptação à dieta. Se o seu diabetes for do tipo 1, infelizmente não tem como fugir da árdua tarefa de tomar insulina diariamente. Porém, se for do tipo 2 e se a sua descompensação for apenas por resistência insulínica, tem ainda como reverter o caso através de um bom controle, de uma dieta balanceada, da perda de peso, e de um programa de exercícios físicos, que ajudam a aumentar a sensibilidade das células à ação da insulina. Um grande abraço!

      Responder

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