Tenho diabetes. E agora?

Descobrir que o Diabetes invadiu a sua vida e sua saúde não é uma tarefa nada fácil. Porém, hoje em dia, não há tanto mistério para se viver em harmonia com esta disfunção.

 Apesar de ser uma situação bastante complexa, é possível controlá-la com pequenas (e decisivas!) mudanças em seu estilo de vida.

A escolha da alimentação é fundamental. A maior mudança está neste fator. Deve-se evitar o consumo de açúcar, e diminuir o consumo de carboidratos, apenas consumindo o necessário para uma dieta equilibrada. É muito importante, também, controlar a quantidade de calorias ingeridas. Fibras têm um importante papel na dieta de um diabético, pois retardam a absorção da glicose dos alimentos. A ingestão de água também é extremamente importante, uma vez que o diabético se desidrata com maior facilidade devido às alterações glicêmicas, que fazem com que o organismo elimine maior quantidade de líquidos.

Dependendo de alguns fatores, como o tipo de diabetes e a forma de controle indicada pelo médico, não se faz necessário comprar alimentos especiais para diabéticos. O planejamento das refeições, de preferência indicado por um nutricionista, é o mais aconselhável. Além de fazer bem para o paciente, faz muito bem também para toda a sua família, uma vez que todos acabam aderindo a uma dieta mais saudável e balanceada.

Pular refeições é uma péssima ideia, especialmente se o diabético fizer uso de medicações (principalmente de insulina), pois podem ocorrer episódios de hipoglicemia, pois a insulina fica agindo no organismo, e se a refeição não for feita, os níveis glicêmicos consequentemente baixam. Além disso, pular refeições também pode fazer com que o paciente ingira uma quantidade maior de comida na próxima refeição, aumentando o ganho de calorias.

Não é preciso dizer que a ingestão de doces aumenta muito as taxas de açúcar no sangue e, sem dúvida, devem ser evitados. Se a vontade for muito grande, prefira ingerir uma pequena quantidade logo após as principais refeições. As frutas são uma excelente opção, pois contêm fibras e pectina, o que retarda a absorção do açúcar contido nas mesmas.

Verifique sempre os ingredientes nos rótulos de produtos light e diet. Embora sem açúcar, alguns apresentam uma grande quantidade de carboidratos, gorduras, calorias e outras substâncias que podem interferir no controle do diabetes. Na dúvida, sempre consulte seu nutricionista. Além disso, é importante diminuir a ingestão de sódio, uma vez que ele aumenta a retenção de líquidos e diminui a hidratação, além de também contribuir para um possível aumento na pressão arterial.

O Automonitoramento glicêmico é de extrema importância na vida de um diabético, pois faz com que ele conheça o seu metabolismo, e saiba o que faz e o que não faz aumentar o seu nível glicêmico. Além disso, o objetivo do monitoramento contínuo da sua glicemia é o seu bem-estar e a preservação da sua saúde. A sua meta é manter seu nível glicêmico mais próximo possível do normal. Por estas razões, trabalhe junto ao seu médico para estabelecer metas de controle glicêmico dentro de um programa de modificações de estilo de vida (dieta e exercícios) adequados às suas necessidades. É possível também realizar um teste de glicemia em laboratório denominado Hemoglobina glicosilada ou glicada (HbA1C ou A1c), o qual mostra como está o controle do seu nível glicêmico nos últimos três meses. Este teste é feito normalmente entre duas a quatro vezes por ano, e geralmente, a meta é obter um resultado de A1c menor do que 7%. Algumas dicas para que você consiga ter um bom controle glicêmico:

-Aprenda a usar adequadamente o seu monitor para obter resultados corretos.

-Certifique-se de que as tiras-teste que está usando estejam dentro do prazo de validade.

-Calibre sempre o seu monitor de acordo com a caixa de tiras-teste que estiver usando.

-Leve seu monitor em cada consulta médica. Nele o seu médico poderá checar todas as medições realizadas por você e verificar a sua curva glicêmica para adequar seu tratamento. Caso deseje, anote seus resultados de glicose em sua caderneta de registro.

-Trabalhe com seu médico para estabelecer o horário em que deverá ser feito o teste, de modo que corresponda ao horário em que você toma seus medicamentos para o diabetes, seu horário de refeições e a sua rotina de exercício.

-Aprenda a relacionar os resultados dos testes com eventos e atividades do dia. Por exemplo: Um teste antes do almoço pode ajudá-lo a entender se o que comeu no café da manhã foi pouco ou muito.

-Procure padrões. Discuta-os com o seu médico. Por exemplo: O seu nível glicêmico antes do jantar sempre está acima da sua meta.

-Mude o momento de fazer o teste, de acordo com as mudanças no seu estilo de vida. Por exemplo: Se começar um novo tipo de exercício, faça um teste 1ou 2 horas antes e depois da atividade física para saber se há efeitos indesejáveis.

-Faça o teste com mais frequência se estiver doente ou apresentar alguma infecção. Poderá ser necessário corrigir a dosagem dos seus medicamentos.

-Leve o seu monitor sempre consigo. É o seu melhor amigo para o controle do diabetes.

Praticar uma atividade física é muito importante. Os níveis sanguíneos de glicose e o peso são mais fácies de se controlar quando há pratica regular de atividades físicas.  Um programa de atividade física regular auxilia na perda de peso, aumenta a frequência cardíaca de acordo com limites estabelecidos para a idade do paciente e ajuda a obter melhores resultados no controle glicêmico, pois os exercícios aumentam a sensibilidade do organismo à insulina, fazendo com haja um melhor aproveitamento da mesma.  

Caminhadas em ritmo acelerado, natação, exercícios aeróbicos na água e ciclismo são excelentes. Além disso, atividades como o pilates e a yoga também são ótimos, pois melhoram o condicionamento cardiovascular e muscular, além de aumentarem a disposição.

 Em resumo, um diabético pode viver em total harmonia com o seu diabetes, desde que ele tenha disciplina no seu controle e adote hábitos de vida saudáveis. Para isso, ele deve comer os alimentos certos, em quantidades certas e nas horas certas, além de fazer o automonitoramento glicêmico em conjunto com o seu médico com a finalidade de atingir níveis o mais próximo possível do normal, além de praticar regularmente atividades físicas.

 

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