Hipoglicemia: A importância de uma ação imediata

A hipoglicemia nada mais é do que a diminuição da taxa de glicose no sangue, ficando esta abaixo do nível normal ou seja, abaixo de 70mg/dL.

As suas causas podem ser variadas e surgir em qualquer idade do indivíduo. As suas formas mais comuns, moderada ou severa, ocorrem como uma complicação no tratamento da diabetes mellitus com insulina ou medicamentos orais.

Embora a hipoglicemia possa causar uma variedade de sintomas, o problema principal de sua condição decorre do fornecimento inadequado de glicose como combustível ao cérebro, com prejuízo resultante em suas funções (neuroglicopenia). Os desajustes nas funções cerebrais podem variar desde um vago mal-estar até ao coma e, mais raramente, a morte.

Os endocrinologistas geralmente consideram os seguintes critérios (a denominada “tríade de Whipple”) para determinar se os sintomas de um paciente podem ser atribuídos a uma hipoglicemia:

Os sintomas parecem ser causados por hipoglicemia;

A glicemia encontra-se baixa no momento da ocorrência dos sintomas; e

Há reversão ou melhoria dos sintomas quando a glicemia é normalizada.

Esses critérios, entretanto, não são unânimes, o próprio valor limite que define uma hipoglicemia tendo sido fonte de controvérsias. De qualquer forma, o nível de glicose plasmática abaixo de 70 mg/dL ou 3,9 mmol/L é considerado hipoglicêmico.

Presença ou ausência de sintomas

Pesquisas mostram que a eficiência mental diminui levemente mas de modo sensível quando a glicemia cai abaixo de 65 mg/dL (3,6 mM), em adultos saudáveis. Os mecanismos de defesa hormonal (adrenalina e glucagon) são ativados assim que a glicemia passa por limiares (cerca de 55 mg/dL ou 3,0 mM para a maioria das pessoas), produzindo tremores e disforia. Por outro lado, não ocorre com freqüência um prejuízo de capacidade mental até que a glicemia caia abaixo de 40 mg/dL (2,2 mM), e até 10% da população pode eventualmente ter níveis de glicose abaixo de 65 (3,6) pela manhã sem efeitos aparentes. Os efeitos da hipoglicemia, chamados de neuroglicopenia, é que determinam quando um certo nível glicêmico é realmente um problema ao indivíduo.

É preferível que a pessoa com hipoglicemia use tanto os sintomas quanto os dados numéricos de seu glicosímetro para determinar as medidas a serem tomadas. É fácil notar hipoglicemia quando o valor lido é 50 mg/dL (2,8 mM); porém, um paciente que está com a diabetes descompensada e freqüentemente lê valores acima de 200 mg/dL (11,1 mM) pode sentir sintomas de hipoglicemia quando o nível de glicose no sangue chegar a valores “normais” de 90 mg/dL (5,0 mM). Neste caso, a pessoa não apresenta uma hipoglicemia clássica, mas terá alívio de sintomas com o tratamento rotineiro para hipoglicemias. Além disso, quando a glicemia diminui a uma taxa rápida, também podem surgir sintomas de hipoglicemia.

Este critério é por si só complicado de se admitir pelo fato de os sintomas da hipoglicemia serem vagos e poderem ser produzidos por outros motivos; além do que, quando a pessoa passa por níveis baixos de glicemia com recorrência, ela pode perder a sensação de limiar, de forma que pode haver agravamento de seus sintomas (por neuroglicopenia) sem que ela note. Para completar a dificuldade, os glicosímetros são inexatos para baixos valores, o que descredita a sua utilidade nessas horas.

Sinais e sintomas de hipoglicemia

Os sintomas hipoglicêmicos podem ser divididos naqueles produzidos pelos hormônios contra-regulatórios (adrenalina e glucagon), acionados pelo declínio da glicose, e naqueles produzidos pela redução de açúcar no cérebro.

hipoglicemia sintomas

 

-Manifestações adrenérgicas (adrenalina)

-Tremores, ansiedade, nervosismo

-Palpitações, taquicardia

Sudorese, calor

-Palidez, frio, languidez

-Pupilas dilatadas

-Manifestações do glucagon

-Fome, borborigmo (“ronco” na barriga)

-Náusea, vômito, desconforto abdominal

-Manifestações neuroglicopênicas (pouca glicose no cérebro)

-Atividade mental anormal, prejuízo do julgamento

-Indisposição não específica, ansiedade, alteração no humor, depressão, choro, medo de morrer

-Negativismo, irritabilidade, agressividade, fúria

-Mudança na personalidade, labilidade emocional

-Cansaço, fraqueza, apatia, letargia, sono, sonho diurno

-Confusão, amnésia, tontura, delírio

-Olhar fixo, visão embaçada, visão dupla

-Atos automáticos

-Dificuldade de fala, engolir as palavras

-Ataxia, descoordenação, às vezes confundido com embriaguez

-Déficit motor, paralisia, hemiparesia

-Parestesia, dor de cabeça

-Estupor, coma, respiração difícil

Convulsão focal ou generalizada

Nem todas as manifestações anteriores ocorrem em casos de hipoglicemia. Não há ordem certa no aparecimento dos sintomas. Manifestações específicas variam de acordo com a idade e com a severidade da hipoglicemia. Em crianças jovens com hipoglicemia matinal, há vômito freqüentemente acompanhado de cetose. Em crianças maiores e em adultos, a hipoglicemia moderadamente severa pode parecer maniadistúrbio mentalintoxicação por drogas ou embriaguez. Nos idosos, a hipoglicemia pode produzir efeitos parecidos com uma isquemia focal ou mal-estar sem explicação.

Em recém-nascidos, a hipoglicemia pode produzir irritabilidade, agitação, ataque mioclônicocianose, dificuldade respiratória, episódios deapnéiasudoresehipotermia, sonolência, hipotonia, recusa a se alimentar e convulsões. Também pode aparecer asfixiahipocalcemiasepse ou falha cardíaca.

Em ambos, pacientes de longa data ou não, o cérebro pode se habituar a níveis baixos de glicose, com redução dos sintomas perceptíveis em momentos de neuroglicopenia. Diabéticos insulinodependentes chamam a neuroglicopenia incondicionalmente de hipoglicemia, e que é um problema clínico importante quando tenta-se melhorar o controle glicêmico desses pacientes. Outro aspecto desse fenômeno ocorre em glicogenose tipo I, onde a hipoglicemia crônica antes do diagnóstico pode ser mais bem tolerada do que episódios agudos após o início do tratamento.

Quase sempre a hipoglicemia severa a ponto de ocasionar convulsões ou inconsciência pode ser revertida sem danos ao cérebro. Os casos de morte ou dano neurológico permanente que ocorreram com um único episódio envolvem ocorrências conjuntas de inconsciência não tratada ou prolongada, ou interferência na respiração, ou doenças concorrentes severas ou outros tipos de vulnerabilidade. De qualquer maneira, hipoglicemias severas podem eventualmente resultar em morte ou dano cerebral.

Causas da hipoglicemia:

Consumo de álcool: É a causa mais frequente.

Jejum: Alimentação insuficiente ou que não fornece açúcares e carboidratos em quantidade suficiente; pode se tratar de um problema pontual, mas também nutricional (dieta muito rígida, diagnóstico de anorexia, desnutrição de causas variadas, etc.).

Esforço físico: O funcionamento dos músculos pode ter consumido a glicose disponível no sangue e o corpo pode não ter tido tempo de liberar suas reservas; é sempre temporário nos indivíduos sadios.

Consumo de Medicamento: Certos medicamentos podem produzir hipoglicemia; é notavelmente o caso dos medicamentos antidiabéticos, como a insulina e os antidiabéticos orais. Outros medicamentos também podem ser a causa: Aspirina, anti-inflamatórios não esteroidais, beta-bloqueadores não-cardioseletivos, quinidina.

Mais raramente, a hipoglicemia pode revelar:

-Uma patologia endócrina: Hipersecreção de insulina, no caso, por exemplo, de um INSULINOMATUMOR secretante do IGF-1;

-Antecedentes de GASTRECTOMIA (ABLAÇÃO do estômago), patologia mais frequente após o câncer gástrico

Dica importante:

Procure sempre encontrar a causa de uma hipoglicemia. Faça os testes com o glicosímetro regularmente, a fim de se evitar que as hipoglicemias ocorram. É extremamente importante medir a sua glicemia ao deitar, para evitar que ela baixe durante o sono. Nenhum diabético deve deitar-se antes das refeições, e sem que lhe seja feito o teste. Jamais tome insulina antes de uma refeição se o valor for inferior a 90mg/dl (5mmol/l). Nestes casos, acabe a sua refeição e só depois tome a insulina.

Reversão da hipoglicemia aguda:

O açúcar sanguíneo pode subir ao valor normal em minutos da seguinte forma: Consumindo (por conta própria) ou recebendo (por outros) 10-20g de carboidrato. Pode ser em forma de alimento ou bebida, caso a pessoa esteja consciente e seja capaz de engolir. Essa quantidade de carboidrato está contida nos seguintes alimentos:

– 100-200ml de suco de laranja, maçã ou uva.

– 120-150ml de refrigerante comum (não dietético)

– Uma fatia de pão

– Quatro biscoitos tipo craker

– Uma porção de qualquer alimento derivado de amido

– Uma colher (sopa) de mel

O amido é rapidamente transformado em glicose, mas a adição de gordura ou proteína retarda a digestão. Os sintomas começam a melhorar em 5 minutos, embora demore 10-20 minutos até a recuperação completa. O abuso de alimentos não acelera a recuperação, e se a pessoa for diabética isto simplesmente causará uma hiperglicemia mais tarde.

Se a pessoa está sofrendo de efeitos severos de hipoglicemia de maneira que não possa (devido à combatividade) ou não deva (devido a convulsões ou inconsciência) ser alimentada, pode-se dar a ela uma infusão intravenosa de glicose ou uma injeção de GLUCAGON (Glucagen – Novo Nordisk).

Hoje em dia já existem sachets e pastilhas de glicose instantânea (Gli-Instan e Glicofast, respectivamente). Estes produtos são facilmente encontrados em farmácias especializadas em diabetes, e podem ser administrados mesmo quando a pessoa se encontra inconsciente, pois a glicose é absorvida imediatamente quando é colocada em contato com a mucosa da boca, pois esta é bastante vascularizada, logo ela vai direto para a corrente sanguínea. No caso das pastilhas, estas devem ser trituradas e misturadas com um pouco de água para que possam ser mais facilmente administradas no caso de a pessoa estar inconsciente.

 

Sachets de glicose instantânea Gli-Instan, em diversos sabores
Sachets de glicose instantânea Gli-Instan, em diversos sabores

 

glicofast 1
Pastilhas de Glicose Instantânea Glicofast, nos sabores menta, morango e limão

 

Vale lembrar que é imprescindível que se aja rapidamente em caso de hipoglicemia, pois quanto mais tempo a glicemia permanecer abaixo do normal, maior pode ser o dano causado ao cérebro, pois este fica sem oxigenação, podendo levar a sequelas graves.

Importantíssimo:

O diabético SEMPRE deve alertar as pessoas de seu convívio de que se em alguma ocasião ele for encontrado desacordado e não houver um glicosímetro por perto para se fazer o teste de glicemia capilar, sempre lhe deve ser administrado açúcar com um pouco de água ou os sachets ou pastilhas para hipoglicemia (estes triturados, como explicado anteriormente) pois, se o motivo de ele estar desacordado for uma Hiperglicemia, ao receber o atendimento médico lhe será imediatamente medida a sua glicemia e administrada a dose necessária de insulina para que os níveis de glicose voltem ao seu normal.

Porém, se o motivo de ele estar desacordado for uma HIPOGLICEMIA, ele terá imediatamente sua vida salva, pois se não agirmos rápido num caso de hipo, o diabético pode ir a óbito. Por isso, nunca espere para agir, pois quanto antes o diabético receber glicose num caso de hipoglicemia severa, maiores são as chances de ele ter as suas funções cerebrais restabelecidas. Portanto, se você um dia encontrar uma pessoa desacordada na rua ou em casa, sem ter por perto um glicosímetro, sempre coloque um pouco de açúcar embaixo da sua língua, ou misturado com um pouco de água, independentemente do que seja, pois se a pessoa em questão for diabética e estiver com hipoglicemia, em questão de segundos você terá salvo a sua vida!!!

 

Fontes:

– Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipoglicemia)

– Blog do Dr. Drauzio Varela (http://drauziovarella.com.br/diabetes/hipoglicemia/)

– SBD (http://www.diabetes.org.br/perguntas-e-respostas/122)

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