Hipoglicemia Noturna: um dos vilões mais temidos pelas pessoas com Diabetes

De suores noturnos a pesadelos, que pessoa com diabetes (principalmente as usuárias de insulina) não acaba experimentando sintomas relacionados à hipoglicemia noturna pelo menos uma vez na vida?

Isto pode ser reflexo de inúmeros fenômenos, como, por exemplo, longos períodos de jejum antes de dormir, uma dose inadequadamente grande de insulina (principalmente NPH e Regular) ou de sulfoniluréias, um desequilíbrio entre o momento da liberação máxima de insulina e a ingesta alimentar, ou então a sobreposição de fatores adicionais que aumentem a sensibilidade à insulina (insuficiência da supra-renal, insuficiência hipofisária), ou ainda a captação da glicose insulino-dependente, no caso de a pessoa ter feito algum exercício físico.

Quanto mais vigorosas forem as tentativas de conseguir a euglicemia (a glicemia normal), mais frequentes serão os episódios de hipoglicemia. Um estudo realizado pela equipe do Diabetes Control Complications Trial, a incidência de reações hipoglicêmicas graves foi três vezes maior no grupo que recebia terapia intensiva com insulina do que no grupo que recebia a terapia convencional.

Episódios hipoglicêmicos mais brandos, porém significativos, eram muito mais comuns que as reações graves, sendo a frequência destas também aumentadas com a terapia intensiva com insulina. A hipoglicemia, portanto, é o principal risco que deve ser pesado contra quaisquer benefícios da terapia intensiva com insulina.

À noite, a hipoglicemia é bem mais perigosa. Dormindo, a pessoa não consegue reconhecer a queda dos níveis de açúcar no sangue. Muitas vezes, além dos suores noturnos, o paciente com hipoglicemia noturna apresenta também pesadelos como manifestação deste fenômeno. E isto pode desencadear um coma hipoglicêmico.

Com a pronta disponibilidade de aparelhos e tiras para monitoramento domiciliar da glicemia, a hipoglicemia pode ser facilmente detectada na maioria dos pacientes que apresentam os sintomas característicos.

A hipoglicemia durante o sono pode ser de detecção um pouco mais difícil, mas deve ser suspeitada a partir de um histórico de dores de cabeça matinais, sudorese noturna ou hipotermia.

Ou ainda, pode-se suspeitar de hipoglicemia de rebote em pacientes que geralmente antes de dormir apresentam níveis glicêmicos próximos do normal, mas pela manhã apresentam valores alterados, mesmo sem ter ingerido uma grande quantidade de carboidratos na noite anterior. Isso ocorre devido a um fenômeno conhecido como Síndrome de Smogyi, que é provocada por uma elevação na concentração das substâncias contra-reguladoras (glucagon,catecolaminas, cortisol, hormônio do crescimento e adrenalina ), em resposta à hipoglicemia noturna.

Sabe-se, atualmente, que as respostas contra-reguladoras neuroendócrinas são gravemente diminuídas com o tempo de duração do diabetes e com o controle intensivo. Portanto, é improvável que nos pacientes com respostas neuroendócrinas reduzidas à hipoglicemias as respostas contra-reguladoras noturnas à hipoglicemia noturna possam ser responsáveis pelas hiperglicemias matinais. A redução das doses noturnas de insulinas em pessoas com diabetes insulino-dependentes que apresentam hiperglicemias matutinas não pode, portanto, ser recomendada.

É mais provável que uma ação reduzida da insulina de ação intermediária injetada que ocorra junto com o fenômeno do amanhecer seja a causa da hiperglicemia matutina. Atualmente, a conduta mais recomendada no tratamento da hiperglicemia matutina é a administração de uma dosagem maior de insulina de ação intermediária na noite anterior, talvez na hora de dormir, ou então aumentar a taxa basal de insulina de uma bomba de CSII entre as 3 e 7 horas da manhã.

A fim de se evitar esses tipos de ocorrências, é muito importante que o diabético discuta com seu médico as possíveis causas das mesmas, e assim faça todas as mudanças preventivas necessárias para que o controle glicêmico fique ajustado.

 

Fontes:

– Revista Sabor & Vida Diabéticos – Setembro/2012 – Edição 76

– Blog Diabetes – Tudo sobre Diabetes (www.diabetes.tudosobre.org)

2 Comentários


  1. Adoro sempre esta informações ,pois acabamos entendo o que acontece muitas vezes

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  2. AS vezes realmente não entendemos o que acontece com uma pessoa que cuidamos que amanhece tão alta a diabete,seria bom se a pessoa falace o que passou anoite mais muitas vezes isso não acontece ,agora sei.

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