Aspartame: Mocinho ou Vilão?

O Aspartame foi criado em 1965 pela empresa norte-americana G.D. Searle & Company e comprado posteriormente pela empresa norte-americana Monsanto. Foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos em 1981. Hoje em dia ele é consumido por mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, e está presente em mais de 6.000 produtos.

Uma mensagem eletrônica que circulou no ano de 1999 pela Internet, supostamente escrita pela Drª Nancy Markle, baseada em um discurso realizado durante uma Conferência Mundial do Meio Ambiente, intrigou a comunidade científica na época devido à possível atribuição de diversas doenças ao uso do edulcorante artificial Aspartame.

Algumas delas são: esclerose múltipla, mal de Parkinson, câncer, fibromialgia (cujos sintomas são: espasmos, dores musculares, formigamento nas pernas, câimbras, vertigem, tontura, dor de cabeça, zumbido no ouvido, dores articulares, depressão, ataques de ansiedade, fala atrapalhada, visão borrada e perda de memória).

Em Em 2005, foi noticiado um estudo realizado pela Fundação Européia de Oncologia e Ciências Ambientais “B. Ramazzini”, em Bolonha, Itália, cujos dados mostraram que o aspartame pode induzir a linfomas e leucemias em ratos. De lá para cá, tem-se tido muitas controvérsias sobre o assunto, e diante destas, a Anvisa resolveu esclarecer, em 2006, diversas dúvidas acerca da utilização deste aditivo em alimentos, com 11 perguntas e respostas:

1) O Aspartame é realmente seguro?

Sim. Existe um consenso entre inúmeros comitês internacionais sobre a segurança do uso do Aspartame.

2) O que acontece com o aspartame em nosso organismo?

Ele é metabolizado no trato gastro-intestinal, liberando 3 metabólitos, sendo 2 deles aminoácidos (fenilalanina e ácido aspártico) e 1 deles um álcool (metanol).

3) O ácido aspártico liberado pelo Aspartame representa algum risco à saúde?

Não, pois mesmo em doses diárias de Aspartame acima das recomendadas, o aumento da concentração de ácido aspártico no sangue é muito pequeno, bem abaixo das doses consideradas como prejudiciais à saúde. Alimentos em geral podem conter ácido aspártico em sua composição, por exemplo: um hambúrguer de 100g pode conter até 40 vezes a quantidade de ácido aspártico presente em uma lata de refrigerante (350mL) contendo aspartame

4) A fenilalanina liberada pelo Aspartame pode representar algum risco à saúde?

Não. Após uma dose única de Aspartame equivalente a 20 latas de refrigerante com este adoçante, o nível de fenilalanina no sangue permanece dentro da faixa normal, bem abaixo dos níveis que podem causar toxicidade. Mesmo para os fenilcetonúricos (que possuem uma capacidade mais baixa de metabolizar a fenilalanina), uma dose não eleva os níveis plasmáticos de fenilalanina a ponto de se chegar a valores que representem risco à saúde.

5) E com relação ao metanol liberado, este representa algum risco à saúde?

Não. A quantidade de metanol liberada é muito pequena, quase insignificante, sendo que mesmo se consumindo doses acima das recomendadas de Aspartame, a quantidade liberada deste metabólito ainda é 200 vezes inferior à dose tóxica para o organismo humano. A quantidade de metanol proveniente do aspartame contido em uma lata de refrigerante (350 mL) equivale à quantidade liberada pelo mesmo volume de suco de laranja ou maçã, sendo de 4 a 6 vezes inferior àquela presente no suco de uva ou de tomate.

6) Quem não deve consumir o aspartame?

Apenas aquelas pessoas portadoras de fenilcetonúria, uma deficiência no metabolismo do aminoácido fenilalanina. Estes indivíduos são incapazes de metabolizar a fenilalanina presente em qualquer alimento, não apenas no Aspartame, devendo se submeter a uma dieta rigorosa. A legislação brasileira obriga que todos os alimentos que contenham Aspartame em sua composição tragam no rótulo a informação: “Fenilcetonúricos: Contém Fenilalanina”.

7) O aspartame pode ser consumido por gestantes e crianças?

Sim. O metabolismo do aspartame já foi estudado nestes grupos da população, não havendo até o presente momento evidências científicas que comprovem que crianças e gestantes metabolizem o aspartame diferentemente de um adulto normal.

8) Existe alguma relação entre o consumo do aspartame e o aparecimento de Esclerose Múltipla, Lúpus Sistêmico, Mal de Alzheimer e a ocorrência de Tumor Cerebral?

Não. A Esclerose Múltipla é uma doença causada por múltiplos fatores, não existindo qualquer associação entre a sua ocorrência e o consumo do Aspartame.

Também não existe nenhuma evidência científica que comprove a associação do Aspartame ao desenvolvimento de Lúpus Sistêmico, Mal de Alzheimer e os diversos tipos de Câncer.

9) O Aspartame prejudica o diabético?

Não. Estimativas de ingestão de Aspartame por diabéticos indicam um consumo considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

10) Já foram realizadas pesquisas para se verificar o efeito do aspartame no organismo humano?

Sim. Existem inúmeros dados na literatura sobre ensaios clínicos realizados em indivíduos normais, diabéticos e indivíduos fenilcetonúricos, não tendo sido evidenciados danos à saúde pelo consumo do aspartame.

11) Qual quantidade de adoçante à base de aspartame pode ser consumida diariamente?

A quantidade máxima de aspartame que um adulto com 60 kg pode consumir diariamente com segurança é de 2.400mg, o que equivale, aproximadamente, ao consumo de 48 envelopes de 1g de um adoçante dietético com 5% de aspartame, ou a 4 litros de refrigerante adoçado apenas com aspartame. No caso de uma criança com 30 kg, as quantidades máximas equivalem a 24 envelopes de adoçante ou a 2 litros de refrigerante diet.

Então, isto significa que todo o conteúdo da mensagem que circulou na Internet e do estudo anti-aspartame realizado na Itália sejam uma inverdade? De todo não. É tudo mentira? Certamente não. Porém, nas dosagens utilizadas normalmente em alimentos dietéticos, não se tem nenhuma prova científica de que hajam riscos com o seu consumo. Então, como se deve escolher o melhor adoçante? Na dúvida, consulte o seu médico. Ninguém melhor do que ele para lhe orientar nesta escolha e sanar todas as suas dúvidas a respeito do assunto.

Fontes:

 

2 Comentários


  1. Obrigada pelas informações,porque passei a usar aspartame a pouco tempo devido uma informação de que os adoçantes a base de sacarina sódica e ciclamato de sódio fazem mal aos rins.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.