A Síndrome do Ombro Congelado e o Diabetes

Síndrome do Ombro Congelado? E isto existe?!? Pois é… Eu também nunca tinha ouvido falar nisso antes, até o dia em que comecei a sentir uma dorzinha chata no meu ombro esquerdo há alguns meses atrás. O interessante é que eu não sou muito de me queixar de dor, mas a danada é insistente. O pior foi quando ela começou a me incomodar para dormir e a dificultar o movimento do ombro. Aí sim comecei a ficar preocupada.

Em uma visita à minha prima Madalena Giordani, que é fisioterapeuta e colaboradora do blog, ela me disse que este foi o assunto da sua monografia de conclusão da sua pós-graduação, que cerca de 2% da população desenvolve a Síndrome do Ombro Congelado, e que a maior incidência deste problema se dá em mulheres, geralmente após os 40 anos de idade (tudo bem que eu ainda tenho 36, mas já estou, bem… digamos assim, quaaaaase lá – rsrsrs).

Esta dor geralmente é unilateral (em apenas 10 a 20% dos casos ela é bilateral), geralmente acometendo o lado não dominante, e (PASMEM), a maior causa deste problema é o Diabetes Mellitus. Sim!

A Capsulite Adesiva ou Síndrome do Ombro Congelado ocorre da seguinte maneira:

A capsula articular da articulação do ombro (glenoumeral) funciona como uma bolsa que contém o líquido articular, responsável pela nutrição da cartilagem e pela lubrificação desta articulação. A cápsula articular tem uma quantidade considerável de folga, apresentando um tecido mais frouxo que permite o ombro realizar todos os movimentos e ajuda a estabilizar esta articulação. No ombro “congelado”, existe uma inflamação da cápsula articular que se “enruga, enrijece”, diminui de tamanho e fica mais rígida. Isto limita seriamente o movimento de rotação do ombro, e faz com que ele “congele”, causando muita dor.

As alterações articulares ocorrem em 4 estágios distintos:
Estágio I (pré-adesivo): há reação inflamatória sinovial;
Estágio II (sinovite adesiva aguda): há sinovite proliferativa e início do colabamento das paredes dos recessos articulares e aderências da cápsula na cabeça do úmero (isto quer dizer que as paredes da cápsula sinovial vão se “colando”);
Estágio III (maturação): Ocorre a regressão da sinovite e franco colabamento do recesso axilar (ou seja, as paredes se colam totalmente, o que começa a prejudicar  muito a movimentação);
Estágio IV (crônico): as aderências estão maduras, retraídas e restringem fortemente os movimentos da cabeça do úmero em relação à glenóide (cápsula articular);

A dor, que de início é insidiosa e que vai se agravando rapidamente, é o primeiro sintoma do problema, que vai se agravando em três fases distintas:

1ª Fase (Inflamatória / Dolorosa): aparece de maneira insidiosa, gradual, mal localizada, com perda lenta e progressiva da mobilidade passiva e ativa do ombro, e tem como sintoma principal a dor. Apresenta duração de 2 a 6 meses.

2ª Fase (Rigidez): caracteriza-se pela limitação da mobilidade, principalmente rotação externa, elevação até 100 graus, com dor leve e persistente. Esta fase pode variar de 6 a 24 meses.

3ª Fase (Remissão da doença / “Descongelamento”):  ocorre o retorno gradual dos movimentos, de forma lenta e progressiva ao longo de meses (isso com o tratamento). O período de duração desta última fase pode variar de 6 a 12 meses. (Ufa!! Pelo menos o problema tem solução rsrs)

Mas, e qual a relação do diabetes com isso tudo?

Este problema é muito raro e pode ocorrer tanto em diabéticos do tipo 1 como nos do tipo 2, mas na maioria das vezes  se dá em pessoas com longos anos de diabetes. As causas ainda não são muito conhecidas, mas estudos apontam que na maioria das vezes o que ocorre é uma reação auto-imune que causa a inflamação intra-articular e que pode também alterar o metabolismo muscular, fazendo com que haja o colabamento dos músculos na cápsula sinovial. Não se sabe se o problema não está relacionado diretamente ao controle glicêmico em si, mas sabe-se que existe uma relação com o tempo de disfunção que a pessoa tem. Porém, na dúvida, é sempre bom manter o controle glicêmico em dia, a fim de se evitar maiores problemas futuros!

E qual é o tratamento indicado para este problema?

O tratamento  é simples, e consiste em anti-inflamatórios para aliviar a dor, e em fisioterapia para que haja o retorno do movimento de rotação e da função do ombro, sem  a necessidade de cirurgia. A maioria dos pacientes melhoram muito, mas o processo pode levar meses.  Em alguns casos pode-se lançar mão de bloqueios anestésicos do nervo supra-escapular, que podem ser realizados de forma seriada (semanalmente), para ajudar a reduzir a dor e permitir uma fisioterapia adequada. Se o progresso na reabilitação do ombro é lento, pode-se realizar manipulação sob anestesia (ou seja, forçar o ombro “na marra” utilizando-se de anestesia em consultório), com o objetivo de soltar estes tecidos encurtados, ou ainda, em últimos casos, pode ser realizada uma liberação artroscópica (cirurgia com o uso de uma mini-câmera) em que o tecido cicatricial e algumas partes da cápsula articular são cortados para ajudar a “soltar” ombro.

No caso de haver a necessidade de aplicação de corticóide intra-articular, deve-se medir a glicemia mais vezes por dia, ajustando a medicação para o diabetes, pois, como já sabemos, os corticoides aumentam (e muito!) os níveis de glicose no sangue.

Recomenda-se iniciar o tratamento no início da doença, pois assim as chances de reversão do processo são bem maiores.

 

Fontes:

– Ambulatório de Medicina do Trabalho – UNISUL de Tubarão (http://ambinternatomedtrabtub.blogspot.com.br)

– Dr. Walter Minicucci (http://walterminicucci.com.br/diabetes)

– American Diabetes Association (http://www.diabetes.org/living-with-diabetes/complications/related-conditions)

 

2 Comentários


  1. Sou diabética ,e há mais ou menos um ano começou uma dor em meu ombro direito como é meu ombro dominante fui ao remato e diagnosticou bursite,porem ,lendo esta reportagem,são os mesmos sintomas e dore que cinto,não gosto de tomar anti-inflamatório por isso faço acupuntura e foi o melhor jeito de livrar das dores e sintomas.sugiro ás pessoas acupuntura e eletro.

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    1. Oi Eva! Tudo bem? Que legal, eu também resolvi procurar a medicina chinesa, pois como sofro com refluxo, os anti-inflamatórios estavam acabando com meu estômago! É incrível como a acupuntura ajuda né? Eu também sempre recomendo a acupuntura e o Reiki, pois além de ajudar no alívio das dores, também ajudam a revigorar e melhorar nossas energias, e consequentemente, tudo começa a funcionar melhor, inclusive o controle glicêmico! Um grande abraço!

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