O Fracionamento das Refeições no Controle Glicêmico

Nos dias de hoje, não é mais novidade que uma alimentação balanceada em conjunto com a prática regular de atividades físicas e, é claro, a administração correta dos medicamentos/insulinas são os pilares para o tratamento do diabetes.

Mas uma refeição saudável não se mede somente pelo tipo de alimento a ser ingerido. É importante também considerar-se o número de vezes que um indivíduo se alimenta por dia. Segundo especialistas, o mais recomendado é se fazer um fracionamento das refeições, realizando de 5 a 6 refeições diárias. Além do café da manhã, do almoço e do jantar, é fundamental que sejam encaixados pequenos lanches nesses intervalos.

Ficar longas horas em jejum e compensar depois aumentando a quantidade de comida não é nada recomendável, pois uma refeição pesada pode elevar muito os níveis de glicose no sangue. Segundo Jenkins et al, 1992, em pacientes diabéticos, o aumento da distribuição das refeições proporciona alterações metabólicas, como a diminuição da glicemia.  As refeições, portanto, devem ser bem distribuídas e com a presença de todos os nutrientes, não devendo os intervalos entre uma e outra ultrapassarem três horas. Por este motivo, se sua vida é agitada, é necessário sempre ter algo prático por perto para consumir nestas pausas, como frutas ou barrinhas de cereal.

fracionamento-de-refeições

É muito importante que haja uma reeducação dos hábitos alimentares, mas isto não significa que a rotina deva ser alterada. Apenas deve-se diminuir os intervalos entre as refeições e a quantidade de alimentos nas mesmas, a fim de se ter um melhor controle. Deve-se haver um controle da ingestão de carboidratos nas refeições, uma vez que eles são os responsáveis pela elevação da glicemia após as mesmas. Por isso o fracionamento é muito importante, pois ele evita que seja consumida uma quantidade grande de carboidratos de uma só vez, diminuindo-se drasticamente o risco de hiperglicemias pós-prandiais.

É muito importante que haja o acompanhamento do médico e de um nutricionista, pois deve-se adequar a ingestão diária de carboidratos ao peso do paciente, sexo, idade e nível de atividade física praticada diariamente. A quantidade consumida irá determinar a dosagem de insulina necessária para metabolizá-los. O fator de sensibilidade à insulina quem irá determinar é o médico.

Deve-se controlar também a quantidade de gorduras ingeridas, uma vez que um prato rico em carboidratos o pico da glicemia acontecerá duas horas após a ingestão. Se neste prato houver uma quantidade maior de gordura, o pico glicêmico acontecerá somente 3 a 4 horas após o início da ingestão.

Vale ressaltar que qualquer pessoa, com ou sem diabetes, tem uma elevação da glicemia após as refeições.  Conforme informações da SBD, o valor ideal de uma glicemia pós-prandial (duas horas após o início da refeição) deve ser de até 140mg/dl.

O descontrole glicêmico pode causar uma série de complicações, inclusive cardiovasculares. Por isso, é fundamental realizar os testes de glicemia pré e pós-prandial, pois desta forma, tem-se parâmetros para saber se a dosagem da insulina ou o tipo de alimentação necessita ou não ser ajustado.

Em adolescentes e crianças, deve-se fazer o cálculo de acordo com as necessidades de cada um, pois o objetivo primordial nesta faixa etária é se manter o crescimento e o desenvolvimento adequados, e posteriormente ajustar os aspectos relacionados ao controle glicêmico. Já para os idosos, as necessidades energéticas diminuem com a idade, devido ao declínio fisiológico do metabolismo e da atividade física. O número de refeições diárias para essa faixa etária continua o mesmo, porém os alimentos devem ser de fácil digestão e de consistência abrandada, uma vez que o envelhecimento causa a diminuição da salivação.

Fontes:

– Revista Vida Saudável & Diabetes – Ano 01, nº 01
– Jenkins, DJ ; Ocana, A ; Jenkins, AL ; Wolever, TM ; Vuksan, V ; Katzman, L ; Hollands, M ; Greenberg, G ; Corey, P ; Patten, R . Metabolic advantages of spreading the nutrient load: effects of increased meal frequency in non-insulin-dependent diabetes. Am J Clin Nutr. v.55  n.2  p.461-7, Feb 1992

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